Cala Boca, Isa!: As poesias de Fagundes Varela

29 de dez de 2014

As poesias de Fagundes Varela

Com fama de boêmio, alcoólatra, e solitário, Luis Nicolau Fagundes Varela, encarnou muito bem tanto em sua vida quanto em sua obra, o poeta romântico por excelência.



Nascido em Rio Claro (RJ) em 18 de agosto de 1841, era filho de um casal bem estabelecido, e pouco depois de mudar-se para São Paulo, onde concluiu os preparatórios, publicou seu primeiro livro de poesia: Noturnas (1861). Concluiu seus estudos um ano mais tarde e tentou a carreira de advogado, no entanto, nunca terminou a faculdade. Casou-se com a artista circense Alice Guilhermina Luande, com quem teve um filho, Emiliano, que faleceu precocemente. A morte do filho inspirou o poema "Cântico do Calvário"

Sua criação foi tanto voltada a temas como a morte, a abolição da escravatura e o patriotismo, como pela influencia religiosa. Em 1866, após o falecimento da esposa, o poeta tentou continuar o curso de Direito, mas acabou por desistir. Casou-se com Maria Belisária, com quem teve duas filhas. Faleceu devida um derrame com apenas 34 anos, em 17 de fevereiro de 1875. Fagundes Varela é homenageado como patrono da Academia Brasileira de Letras.

Nem precisa mostrar o por quê de eu amar tanto esse poeta. Além de ser muito apaixonada por poesia, acho esse poeta ótimo. Apesar de sua historia ser um pouco triste, eu amo ela. Foi difícil, mas selecionei dois poemas (só?) pra vocs conhecerem um pouco do trabalho maravilhoso dele...


                                                     ILUSAO

Sinistro como um fúnebre segredo
Passa o vento do Norte murmurando
Nos densos pinheirais;
A noite é fria e triste; solitário
Atravesso a cavalo a selva escura
Entre sombras fatais.

À medida que avanço, os pensamentos
Borbulham-me no cérebro, ferventes,
Como as ondas do mar,
E me arrastam consigo, alucinado,
À casa da formosa criatura
De meu doido cismar.

Latem os cães; as portas se franqueiam
Rangendo sobre os quícios; os criados
Acordem pressurosos;
Subo ligeiro a longa escadaria,
Fazendo retinir minhas esporas
Sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão iluminado,
Suavemente repousando o seio
Entre sedas e flores,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana
De meus santos amores.

Corro a seus braços trêmulo, incendido
De febre e de paixão... A noite é negra,
Ruge o vento no mato;
Os pinheiros se inclinam, murmurando:
- Onde vai este pobre cavaleiro
Com seu sonho insensato?...


ARMAS 
- Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
Ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
Faz em dez minutos brecha?
- Qual a mais firme das armas?
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
O punhal, ou o chifarote?...
A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei, meus bons amigos:
Se apelida: - A língua humana!

Oq acaharam sobre os poemas dele? Lindos né?
Recadinhos:
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Um comentário:

  1. Amei o post, gosto muito de poemas. As vezes eu também escrevo, mas só para mim...rsrs ;)

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